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O nosso método

 

Objetivos da terapia

      
A definição dos objetivos da terapia é feita com base nos dados da avaliação inicial, de um currículo base e da sequência de aquisição de competências em todos os domínios (aprender a aprender, comunicativo, social, académico, auto-cuidado, motor, brincar e divertimento, etc.), os quais são decompostos em pequenos passos, sendo estes desenvolvidos sequencialmente, ou dos mais simples para os mais complexos.

 
      
O objectivo final é ajudar cada aluno a desenvolver competências que lhe permitam ser o mais independente e bem sucedido na sua vida possível.


Procedimentos

São utilizados vários procedimentos analíticos comportamentais para reforçar competências existentes e construir as que ainda não estão desenvolvidas. Isto envolve a explícita e cuidadosa planificação das actividades para que o aluno tenha múltiplas e repetidas oportunidades de aprendizagem e de treino de competências ao longo do dia. São utilizados abundantemente reforços positivos que são identificados individualmente durante a avaliação inicial e são permanentemente actualizados.

 

Discrete trial, ensino acidental e sequencial

 Uma das formas de facultar oportunidades de aprendizagem é o adulto apresentar uma série de exercíciosao aluno. Cada um deles tem uma pista ou uma instrução específica, constituindo uma oportunidade para o aluno responder e dependendo da resposta o adulto aplica a consequência que será o reforço, no caso de resposta correcta. Estes exercícios são chamados "discrete trials" e são essenciais para a construção de muitas competências importantes em alunos com autismo. É adoptada uma estratégia positiva e de sucesso, ou seja, os exercícios são adequados para que o aluno consiga responder o mais correctamente possível sentindo-se motivado a trabalhar, sempre que necessário com ajuda do instrutor. Os reforços, bem como as ajudas para a concretização das tarefas, vão sendo gradualmente reduzidos e eliminados uma vez que o que se pretende é a autonomia.

 

Os programas que assentem exclusivamente nestes exercícios, frequentemente chamados "discrete trial training", não são o estado da arte, principalmente quando não são individualizados.
 

 

A investigação demonstrou que a utilização isolada destes exercícios conduz à criação de competências que não passam das situações de ensino para as da vida diária. Por este motivo, programas efectivamente ABA misturam procedimentos "discrete-trial" com uma variedade de outros métodos ABA, incluindo situações de ensino criadas pela criança (chamadas ensino acidental - "incidental teaching"), análise de tarefas e encadeamento para ensinar competências que envolvam sequências de acções ou passos. É dado muito ênfase em tornar o ensino agradável, e envolver o aluno numa interacção social positiva.

 

Os programas são constantemente atualizados

Nos programas ABA, os procedimentos de alteração comportamental são especificados claramente. As instruções, as pistas, os reforços, os materiais e procedimentos que são utilizados para desenvolver ou  criar cada competência são adaptados individualmente a cada aluno.


Existe um programa escrito ou um conjunto de instruções para ensinar cada competência; o analista comportamental responsável pelo programa treina todas as pessoas que trabalham com o aluno para implementar estes programas consistentemente. A família tem um papel fundamental na medida em que deve promover a generalização das competências adquiridas, nas sessões de ensino, a todas as situações do dia-a-dia, incentivando a criança a adaptar-se a novos contextos.

 

Como atuar sobre os comportamentos indesejados


Os comportamentos desadaptados (tais como comportamentos estereotipados, as auto-agressões, os comportamentos agressivos ou disruptivos) são explicitamente não reforçados. É feita uma análise funcional que avalia o que os despoleta e os momentos em que isso acontece (antecedentes), bem como o benefício que traz à criança (consequentes). São ensinados e reforçados comportamentos alternativos apropriados.


O objetivo é dotar a criança de um leque de comportamentos mais adequados e funcionais em substituição dos que se consideram inadequados.

 

Recolha e análise de dados



Os progressos são avaliados frequentemente, usando métodos de medição e observação directos. Ao longo das sessões, são sempre elaborados registos rigorosos e detalhados, sendo os dados colocados em gráficos para permitir uma avaliação visual da evolução de cada competência e de cada comportamento desadequado, que fazem parte dos objectivos da terapia.

 

Os dados são analisados regularmente pelo responsável do programa, de forma a que os erros de aprendizagem sejam detectados precocemente e sejam ajustados os métodos de intervenção rapidamente se o progresso não for satisfatório. O analista comportamental também observa os terapeutas e dá um feedback da sua actuação.


O programa avança de modo gradual, ensinando competências básicas ao nível da autonomia, da linguagem, da imitação verbal e não verbal, do brincar com objectos até à linguagem expressiva e abstracta e à interacção com os outros nos mais variados contextos.

 

Por fim, mas não menos importante, é que os programas ABA devem ser dirigidos por profissionais com formação avançada em análise comportamental e experiência supervisionada no desenho e implementação de programas ABA para alunos com autismo.

 


Referências


1) Gina Green, PhD, BCBA;  Applied Behavior Analysis for Autism; San Diego State University and the University of North Texas; Board of Trustees, Cambridge Center for Behavioral Studies
2) Leaf, R. et al (1999). A work in progress: behavior management strategies and a curriculum for intensive behavioral treatment of autism. New York: DRL Books
3) Andy Bondy, Beth Sulzer-Azaroff. (2002) The Pyramid Approach to Education in Autism. Pyramid Educational Products Inc